Roça de S. João dos Angolares S.Tomé e Príncipe🇸🇹
No Sul da linda ilha de S.Tomé fica uma das seis roças históricas recentemente declarada património mundial pela Unesco. (Julho de 2026). Sexta-a-mesa dedica esta edição aos sabores exóticos e à cozinha são-tomense, esperando que esta mesa inspiradora apure todos os sentidos e seja um bom pretexto para uma escapadela e viagem até à linha do Equador. São 6 horas de voo de Lisboa a S.Tomé que valem pela aventura e pela história. Quase toda a ilha é verdejante e algumas paisagens são de cortar a respiração, paraíso do cacau, contudo há que estar preparado para as dissonâncias humanas que espreitam em cada povoado e coabitam em cada favela.
Voltando à roça, termo que designa o complexo agroindustrial introduzido e desenvolvido pelos portugueses durante o período colonial, e concretamente à roça de S. João pode-se dizer que está bem preservada e após a descolonização passou a pertencer ao antigo feitor, continuando o legado na mesma família.
Hoje é gerida pelo filho do antigo feitor o Chef João Carlos Silva, natural de Angolares, S.Tomé. Com um curriculo em Direito, é também um artista plástico conceituado, tem promovido local e internacionalmente as raizes culturais do seu país, tendo ficado particularmente famoso através do programa " Na roça com os tachos " emitido pela RTP 2 e pela RTP África. A sala de jantar é à letra um open space, ao lado da cozinha sob uma paisagem edílica e invejável.
O espaço em madeira é amplo e sem janelas como se tratasse de uma varanda sem limites, com uma vista deslumbrante bem decorado numa atmosfera super acolhedora.
Não havendo carta, somos levados a confiar no menu de degustação proposto pelo Chef, podendo por isso variar com as ofertas sazonais. Os ingredientes são na quase totalidade produtos locais imperando os vários pescados frescos como o atum, peixe azeite, peixe andala, estes dois últimos não são pescados na costa portuguesa. O almoço combinou várias entradas sequenciais, um prato principal e uma sobremesa. Antes de iniciar esta prova, foi-nos dado um vinho tinto do Douro para lavar o palato. Acompahamentos extras, lâminas de coco fumado com lascas banana frita envolvidas em milho.
A primeira entrada, um ceviche muito exótico de peixe andala com destaque para as notas de limão asiático. A segunda entrada, uma salada de papaia verde com maracujá, muito fresca, a seguir uma beringela assada no forno, gratinada com queijo português de cabra, com peixe, fruta e vegetais bem condimentada e gulosa. Seguiu-se banana pão assada, recheada com galinha, bacon e queijo edam a acompanhada de creme de feijão preto igualmente excelente. Como transição ao prato principal, veio ananás braseado com notas de limão asiático, iogurte grego, compota de papaia, coberto de chocolate local, derretido com notas de pimenta selvagem, sabores harmonizados e gulosos. Chegamos finalmente ao prato principal constituído por um guisado crioulo, Soô de matabala (tubérculo local) com vários peixes, que podem ser fumados e /ou frescos com especiarias locais, cozinhados em óleo de palma. Este fez-se acompanhar de arroz de manjericão e pimenta selvagem fresca. Apesar das doses serem de degustação, são saciantes. A sobremesa, trouxe uma proposta irrecusável: banana bêbada com baunilha (nativa) com um molho de cacau de S.Tomé.
reservas.rocasjoao@gmail.com
Preço médio: 35 €
Até sexta!💚



















Fiel ao que conheço e sempre inspirador.
ReplyDeleteObrigada Teresa💚
DeleteOlá Cris, que belíssima experiência!
ReplyDeleteConsegui sentir todos os sabores, através da tua escrita.
Muito obrigada, fico contente 🙏💚
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